segunda-feira, 12 de março de 2012

A fuga da Lili


Ontem fez 8 dias que a Lili fugiu. Foi no domingo, dia 4 de março. Era maio ou menos oito horas da noite, eu chegava em casa e quando minha mãe abriu o portão, Lili passou correndo e foi cheirar o mato em um terreno, em frente a minha casa.
De vez  em quando, ela fazia isso. Se a chamávamos, ela não dava ouvidos, se íamos ao seu encontro, ela corria. Então, o melhor a fazer era esperar até que quisesse voltar. Não demorava muito e lá vinha a Lili toda feliz.
Mas nesse domingo, Lili não voltou. 
Andei pelo bairro até duas da manhã e não a encontrei. Fiquei desesperada. Lili tem mais ou menos doze anos e passava o dia deitadinha em sua caminha, perto de tudo que ela gostava e precisava. E já era madrugada e ela estava por aí perdida, podia estar machucada, com medo,  presa, sofrendo... Faria tudo  para tê-la de volta. Tinha certeza que se ela pudesse já teria voltado. E a ideia de que algo muito grave poderia ter acontecido com ela, me matava. 
Pedi a São Francisco e para todos os Santos de que me lembrei , falei com Deus e acabei brigando com ele. Voltei para casa derrotada. 
De manhã, assim que o sol nasceu voltei a procurá-la e nada. Sonhava em vê-la voltando e sentia um gostinho dessa felicidade. Mas não a encontrei. Fui trabalhar. O portão da minha casa ficou aberto esperando por ela. Na hora do almoço, fui pra casa com o coração na boca: quem sabe ela  já estaria em casa.  E nada, Lili não havia voltado. Eu escutava seu latido  o tempo todo, mas não era verdade. Voltei ao trabalho, voltei pra casa no final do dia e nada. 
Chegou a hora  mais difícil por ser a hora predileta da Lili: o jantar.  Tive que enfrentar porque tinha mais uma porção de boquinhas esperando saborear a comidinha. Ouvi mais uma vez o latido da Lili, mas dessa vez, não foi só eu que ouvi. O Bob correu para o portão e ficou olhando. Acompanhei -o e quando olhei para o portão, vi um rabo que se agitava freneticamente. Lili voltou. Era tanta felicidade, eu nem podia acreditar que estava com ela novamente.  Bebeu tanta água, comeu tanto, bebeu de novo e foi dormir em sua caminha. Eu fiquei por um tempão vendo Lili dormir, envergonhada por não ter confiado em Deus.

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